Transmission

Eu estava procurando, esses dias, um bom cliente para baixar torrents.  Queria um programa mais leve: eu estava usando o Vuze, mas para uma tarefa simplória de baixar torrents usar o Vuze é matar mosca com canhão, já que ele tem muito mais recursos do que eu realmente usava. O próprio site do Vuze já o descreve como “o mais poderoso cliente BitTorrent do mundo”, mas eu não precisava de tamanha munição.

Queria um programa que pudesse rodar em background e ser controlado de outro computador, assim eu poderia, por exemplo, pôr um torrent para baixar usando o computador do trabalho e encontrar os arquivos quando chegasse em casa. No meio dessa busca, o Silveira me sugeriu o Transmission, e também me mandou um artigo do Xisberto tratando do programa.

O Transmission pode rodar de várias maneiras: como daemon, assim que o serviço inicia, ou como um programa comum, com interface gráfica (Qt, GTK e Mac). As interfaces são simples, porém funcionais. Abaixo, o screenshot da interface em GTK:

Interface GTK do Transmission

Também há uma interface web que pode controlar o daemon ou o cliente gráfico que você estiver usando. A interface é similar à do cliente gráfico, e baseada no look & feel do Mac:

Interface web do Transmission

O site do Transmission possui uma seção de add-ons que vale a pena consultar. Há várias maneiras alternativas de controlar o Transmission à distância, e um porte do Transmission para Windows a caminho.

Lista de celulares com Linux

Tenho feito uma pesquisa de smartphones por aí, já que pretendo adquirir um celular um pouco melhor nas próximas semanas. Acabei me deparando com uma seção do site Linux for Devices apenas com telefones celulares equipados com Linux. A lista, que parece ser atualizada com frequência, contém fotos e reviews de cada aparelho, como o Nokia N900 (com Maemo) e Motorola Droid (com Android).

Instalando pacotes do Arch Linux com Yaourt

O Arch Linux contém, em seus repositórios, milhares de pacotes úteis. Alguns pacotes, porém, ainda não entraram nessa lista. Isso levou à criação do AUR (Arch User Repository), um repositório de scripts que os usuários podem baixar e usar para construir seus pacotes usando a ferramenta makepkg do Arch Linux. Essa tarefa, porém, pode ficar chata quando você a faz com frequência ou precisa também instalar dependências.

Pensando nisso, alguns usuários de Arch Linux criaram o Yaourt, um frontend para o pacman (o gerenciador de pacotes do Arch) e para o já citado makepkg. Ele automatiza o processo de baixar os scripts do AUR e criar o pacote para você, inclusive as dependências do pacote.

Instalação do yaourt

Há 2 maneiras de instalar o yaourt no seu Arch Linux:

Método 1: via AUR

Para instalar via AUR, é só seguir a sequência de passos (a saída dos comandos foi omitida):

# pacman -S wget base-devel
# wget http://aur.archlinux.org/packages/yaourt/yaourt.tar.gz
# tar xvzf yaourt.tar.gz
# cd yaourt
# makepkg
# pacman -U yaourt-versao-arquitetura.tar.gz

Repare que a versão e arquitetura, citados em negrito acima, podem variar de acordo com seu sistema e a versão que você está instalando.

Método 2: via repositório Archlinux-fr

Considero essa a maneira mais simples. Caso seu Arch seja a versão para i686, acrescente as seguintes linhas no seu /etc/pacman.conf:

[archlinuxfr]
Server = http://repo.archlinux.fr/i686

Caso seja a versão x86-64, acrescente as seguintes linhas:

[archlinuxfr]
Server = http://repo.archlinux.fr/x86_64

Em seguida, instale com o pacman:

# pacman -Sy yaourt

Usando o yaourt

A sintaxe do yaourt parece com a do próprio pacman. Recomendo uma boa lida na página oficial do yaourt para isso. Eu costumo usar o yaourt como um usuário comum, mas com permissões para uso do comando sudo sem senha.

O uso mais comum, instalar um pacote qualquer, é simples. Para instalar o VirtualBox, por exemplo:

$ yaourt -S virtualbox_bin

O usuário irá notar que o yaourt pede para você dar uma lida nos scripts, verificar se não há nada inseguro neles, confirmar a instalação do pacote… Caso você prefira a praticidade à segurança, use

$ yaourt -S virtualbox_bin --noconfirm

Isso fará o yaourt não solicitar nenhuma confirmação para as perguntas que ele costuma fazer.

Links e fontes

Análise do Haiku OS R1/alpha 1

Já faz um tempo que acompanho a trajetória do Haiku, o projeto que tenta fazer um clone livre e aberto do finado BeOS, sistema operacional encerrado quando a Be foi comprada pela Palm. Desde então, vários projetos surgiram para dar continuidade ao BeOS, dentre eles o OpenBeOS, que acabou se tornando o Haiku.

A primeira versão alfa do Haiku foi liberada em setembro, e há downloads disponíveis de imagens ISO e máquinas virtuais para VirtualBox e VMware. Para poder tomar conhecimento do procedimento de instalação, acabei baixando o ISO mesmo para testar no VirtualBox.

O procedimento de instalação é bastante enxuto, pelo menos por enquanto: há apenas um particionador e um botão para prosseguir.

O boot do Haiku é bastante rápido, mesmo numa VM. O desktop padrão traz atalhos pro HD e documentação na área de trabalho e a deskbar, que é onde temos o menu que nos permite acessar os aplicativos e configurações, além da barra de tarefas. A parte gráfica do sistema está bem trabalhada, com fontes TrueType suavizadas e look & feel confortável.

O Haiku já traz suporte nativo a teclado brasileiro ABNT2, sem a menor dor de cabeça para configurar:

Ele também já acompanha o Firefox, devidamente portado para o Haiku com o nome de BeZillaBrowser, para evitar problemas de branding com o Firefox. Infelizmente é uma versão quase jurássica, a 2.0.0.22pre. Mas vale lembrar que estamos numa versão alfa e nem todos os aplicativos são atualizados, alguns estão lá apenas para mostrar que eles existem e podem ser portados.

Mas aí vem aquele velho teste cheio de frescuras: o Haiku já roda Flash? As pessoas não podem viver sem o Youtube. Uma simples busca no Google e descobri que já há um porte do Gnash para o Haiku. Consegui instalá-lo e abrir um vídeo no Youtube. No entanto, conforme o site do porte informa, o som só funciona em alguns nightly builds, e não funciona na versão alfa que baixei para testar. De qualquer forma, já nos mostra um progresso no desenvolvimento do sistema para usuários finais.

Conclusão: essa versão alfa R1 do Haiku mostra um sistema operacional simples e promissor. Ele me lembra bastante o Mac OS: um Unix (embora o Haiku ainda não tenha suporte multiusuário) simples de usar, fácil de configurar e já integrado a uma interface gráfica. Já temos em progresso aplicações do KDE rodando no Haiku com look & feel nativo. Acredito que, em médio prazo, teremos mais um sistema amigável e cheio de aplicações para escolher.